Discurso - Adroaldo Peixoto

Texto do Discurso

O SR ADROALDO PEIXOTO – Sr. Presidente, Srs. Deputados, venho a esta tribuna hoje para fazer um registro, aliás, tema dos deputados que fizeram os apartes, sobre os jornalistas. Precisamente, hoje, 7 de abril de 2005, a nossa querida ABI, Associação Brasileira de Imprensa, completa 97 anos de existência.

Como jornalista e membro da ABI, não poderia deixar de registrar aqui o seu aniversário.

(Lendo) “A Associação Brasileira de Imprensa, a mais antiga organização jornalística do Brasil completa hoje 97 anos de sua fundação, motivo que me traz a esta tribuna do Plenário Barbosa Lima Sobrinho que, como sabem, durante muitos anos foi o Presidente da ABI.

Trincheira de lutas pelas liberdades democrática desde o seu surgimento, no ano de 1908, quando foi fundada na Cidade do Rio de Janeiro por um grupo de repórteres e referência obrigatória durante a resistência da sociedade civil ao regime militar, a ABI sempre participou da vida nacional e jamais se omitiu na proteção aos jornais, na garantia e no respeito aos direitos humanos e aos direitos dos profissionais da imprensa. Sob a tutela de sua entidade nacional, a geração de jornalistas que no início do século passado lutou contra os desmandos da República Velha, apenas antecedeu a que se opôs ao Estado Novo, nos anos de 30 e 40, e a que enfrentou na ditadura nos anos 60 e 70.

Tem sido assim. Durante quase um século de existência, a ABI tem defendido, orientado e trabalhado a união da classe para completa apuração dos seus desígnios e prestígio. Na prática, a ABI transcende os interesses dos jornalistas. Ao defender o jornalismo defende a liberdade de expressão e o livre fluxo das informações, mecanismos imprescindíveis à democracia.

Sempre participou da vida nacional, tanto como veículo dos anseios da imprensa, englobando empregados e patrões, quanto no acompanhamento dos grandes debates nacionais. Hoje, se empenha pela preservação da Amazônia e, mais uma vez, pela paz mundial.

Fazem parte da ABI, da história da ABI, a campanha pela participação da Força Expedicionária Brasileira na Segunda Guerra Mundial; a defesa das riquezas minerais do nosso país, especialmente o petróleo; e a grande luta pela anistia, em várias ocasiões, especialmente durante o Estado Novo e o regime militar.

Também no cenário internacional, tem se posicionado contra a violação dos direitos humanos no Uruguai, na Argentina, no Chile, na Bolívia, no Peru, no Equador, na Colômbia, no Haiti, na Nicarágua e em outros países da América Latina e da América Central. Relaciona-se com a ONU, Organização das Nações Unidas, com a Organização dos Estados Americanos, OEA, com a FAO, a Organização Internacional de Jornalistas, a Federação Latino-Americana de Periodistas, a Federação das Associações de Imprensa Ibero-Americana e outros organismos internacionais, o que posso atestar como membro da ACIB, a Associação Cultural Ítalo-Brasileira, já que sou jornalista também naquele país, com sede hoje no Rio de Janeiro. A ABI, nas suas relações internacionais, tem defendido jornalistas não só dentro do nosso país mas também no exterior.

Muitas foram as escaladas de violência que enfrentou, desde 1964 até 1982, em defesa da liberdade de expressão e dos direitos humanos. Mas a Casa dos Jornalistas não se intimidou jamais. Ao lado de instituições como a Ordem dos Advogados do Brasil, OAB, e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, entre outras, promoveu campanhas a favor do habeas corpus, contra a censura e a presença de agentes censores nas redações dos mais importantes jornais deste país. Insurgiu-se contra os Atos Institucionais, a Lei de Segurança Nacional, jamais deixando de repudiar a Lei de Imprensa.

Na abertura política, em 1979, quando convergiam para o Brasil mais de um milhão de pessoas que não podiam retornar aos seus países, a Associação Brasileira de Imprensa, em colaboração com instituições religiosas e da sociedade, procurou assistir e amparar os mais necessitados, inclusive os que quiseram legalizar sua permanência no país.

Este, Sr. Presidente e Srs. deputados, é um breve relato do que representa no cenário mundial a nossa aniversariante de hoje, a ABI, a primeira instituição de caráter nacional, fundada no país em 7 de abril de 1908. Sua sede, aqui pertinho, na Rua Araújo Porto Alegre, marco da arquitetura brasileira, é um espaço permanentemente aberto a todas as manifestações culturais e de defesa da soberania nacional.

Orgulhoso por pertencer ao seu quadro social que reúne milhares de profissionais da imprensa (jornal, rádio e televisão) em todo o país, e até no exterior, não poderia deixar de registrar aqui a trajetória da nossa ABI ao longo desse quase um século de existência.

Nomes expressivos da imprensa figuraram e figuram na direção e no corpo de integrantes da Associação Brasileira de Imprensa: Gustavo de Lacerda, seu idealizador; Dunshees de Abranches; Raul Pederneiras; Herbert Moses; Prudente de Moraes Neto; Danton Jobim; Barbosa Lima Sobrinho e o saudoso jornalista também já foi reverenciado, aqui, por colegas hoje, Henrique Miranda – que foi durante muitos anos vice-presidente da ABI, na gestão de Barbosa Lima Sobrinho.

Barbosa Lima Sobrinho, até os 103 anos de idade, presidiu a ABI por três vezes e tem hoje, em sua direção, o jornalista Maurício de Lima Azevedo, que foi vereador na Cidade do Rio de Janeiro e também Conselheiro do Tribunal de Contas do Município.

Dentre as atividades contraídas pela sociedade e pela própria classe com a ABI, estão os Cursos e Escolas de Jornalismo que pavimentaram, a partir de 1943, o caminho por onde iniciaram os primeiros passos as faculdades de Comunicação Social de nosso País.

Conscientes de que os jornais regionais promovem a participação mais interativa com os leitores, desempenhando importante papel democrático na sociedade, a Associação Brasileira de Imprensa tem procurado uma aproximação com esses veículos, preocupada com as ações por dano moral, impetradas contra eles, jornalistas, e que pode levar muitos deles à insolvência.

O Direito à Privacidade e o Segredo de Justiça são outros temas que preocupam a Imprensa do interior do Estado, e dos quais tem como grande guardião a Casa dos Jornalistas, a ABI.

É esta ABI que queremos cumprimentar, neste 7 de abril, como a instituição orgulho do Brasil, símbolo da liberdade de expressão, soberania e defesa nacional.

Sr. Presidente, o tempo está terminando, mas eu não gostaria de deixar de registrar o profundo sentimento de pesar pelo falecimento trágico do jovem Deputado Márcio Corrêa, com quem tive a oportunidade de, na campanha de 2002, visitar muitos municípios com ele e com seu pai que, à época, era Prefeito de Cabo Frio. Fica o meu voto de pesar à família do Sr. Deputado Márcio Corrêa.

Quero lembrar também que, lamentavelmente, esse é o terceiro deputado que perdemos nesta Casa. Perdemos, assassinado de forma trágica o Deputado Valdeci, e não menos trágica o Sr. Deputado Albano Reis. Então, é um registro que fazemos com pesar, com sentimento, porque são colegas, Parlamentares que foram eleitos pelo povo e que, hoje, não fazem mais parte do nosso convívio.

Sr. Presidente, muito obrigado por ter me cedido um pouco do meu tempo.

O SR. PRESIDENTE (José Távora) – Quero parabenizar V. Exa. pelo seu pronunciamento sobre a ABI, lembrando que este Plenário tem o nome do Barbosa Lima Sobrinho. Isso é muito importante, é um honra para toda a Casa e também quero registrar que o nome de Barbosa Lima Sobrinho está ligado ao jornalismo e à própria História do Brasil. Está tão associado, não só a essa entidade, como ao nosso País, como o próprio corpo à sombra.

Foi uma trajetória magnífica que todos nós esperamos tenha prosseguimento agora na pessoa também – e aí faço uma saudação a todos os jornalistas – de Maurício Azedo, hoje presidente da ABI. Daqui enviamos os nossos cumprimentos e abraços, torcendo muito para que ele prossiga realmente nessa trajetória, diga-se de passagem, confirmando também uma outra trajetória belíssima, uma exceção magnífica que ele tem na História deste Estado.