Discurso - JOSÉ BONIFÁCIO

Texto do Discurso

O SR. JOSÉ BONIFÁCIO – Obrigado, Sra. Presidente. Desculpe, eu estava atendendo algumas pessoas amigas e realmente não estava em plenário no momento.

Sra. Presidente, Srs. Deputados, no período de recesso, nesse tempo em que ficamos afastados da Casa Legislativa, muita coisa aconteceu em cada um dos municípios do Estado do Rio de Janeiro. Aconteceram mudanças políticas pelo mundo afora, desde a vitória do grupo radical Hamas nas eleições da Palestina à eleição na Bolívia e no Chile. Neste meu pronunciamento relembro que durante o recesso a política fluminense perdeu três valorosos combatentes.

O primeiro, no final do mês de dezembro. Havíamos sido convocados para votar uma Mensagem da Sra. Governadora Rosinha, quando chegou a notícia do falecimento do nosso querido Sr. Deputado Pedro Fernandes, figura da mais admirável expressão. Não tive, como os senhores e uma boa parte dos Srs. Deputados desta Casa, o prazer de conviver com S. Exa. durante muitos anos e muitos mandatos – nosso querido Sr. Deputado Pedro Fernandes era o parlamentar que detinha o maior número de mandatos neste Parlamento, talvez até em todos os Parlamentos brasileiros.

Desde menino, eu, nascido em uma família de políticos do interior, conhecia e acompanhava a atuação política do Sr. Deputado Pedro Fernandes. Mas não o conhecia pessoalmente. Minha surpresa ocorreu quando assumi o mandato, com a renúncia do Sr. Deputado Comte Bittencourt, que fora assumir a vice-Prefeitura em Niterói. No dia 10 de janeiro de 2005, na minha posse, quando cheguei a esta Casa, tive a surpresa agradável de ser recebido pelo Sr. Deputado Pedro Fernandes, representando a Mesa Executiva da Casa. Foi S. Exa. quem me empossou no cargo de Deputado Estadual nesta Assembléia Legislativa. A partir daí, passei a observar a figura humana extraordinária que era o Sr. Deputado Pedro Fernandes, o carinho, expressão, atenção e percepção que S. Exa. tinha de tudo que acontecia nesta Casa.

Nestes últimos meses, acompanhamos o sofrimento do Sr. Deputado Pedro Fernandes, que ainda nos proporcionou uma tarde de autógrafos de um livro sobre sua vida, sua trajetória. Eu fiquei sensibilizado com a notícia do seu falecimento, quando me preparava para vir a esta Casa, como disse, votar uma matéria da Sra. Governadora, logo depois do Natal. Fui tomado de muita emoção e me senti, não na obrigação, mas espontaneamente decidido a acompanhar o Sr. Deputado Pedro Fernandes até a última morada, no Cemitério de Irajá.

Sra. Presidente, gostaria de fazer esse registro, uma vez que a Alerj estava em recesso e não teve a oportunidade de prestar publicamente, em uma Sessão Solene, uma homenagem a essa figura que marcou a história desta Casa Legislativa.

Logo depois, no início de janeiro, o Estado do Rio de Janeiro perdeu uma figura que também aprendi a admirar, como médico, profissional da Saúde, homem público voltado principalmente aos mais necessitados, não só pelo fato de sua profissão se identificar muito com o exercício de um sacerdócio. Tive a oportunidade, quando era Secretário de Saúde em Arraial do Cabo, de contar com o apoio, o estímulo, o incentivo do médico Adelino Simões. Eleito vereador no Município do Rio de Janeiro, Adelino muito fez no pouco tempo de seu mandato — praticamente, não chegou a completar um ano no exercício de seu mandato.

No mar revolto da política, com a indignação que toma conta da população brasileira diante de um quadro de políticos que, muitas vezes, nos envergonha, perdemos figuras como Pedro Fernandes e Adelino Simões. Mais recentemente, no fim do mês, pouco antes de reassumirmos a Sessão Legislativa deste ano, o Estado do Rio de Janeiro perdeu outra grande figura política, Hamilton Xavier.

Hamilton Xavier foi Deputado Estadual no antigo Estado do Rio de Janeiro, Deputado Federal e vice-Governador. Foi o segundo companheiro de chapa no segundo mandato de Chagas Freitas. Não encontramos figura igual nos quadros políticos de hoje em dia.

Pude participar dos três momentos fúnebres. Fiz questão de estar presente nos momentos finais, nas homenagens a Pedro Fernandes, Adelino Simões e Hamilton Xavier. Essas figuras se vão, lamentavelmente, mas seus exemplos ficam. Se não ficam muito divulgados para que nós, que estamos trilhando os caminhos da política, possamos nos orientar nesses exemplos de dignidade, de postura ética, de caráter, de comprometimento com a coisa pública, pelo menos, sentimos que valem a pena.

Muitas vezes, na vida política, nos desencantamos com este ou com aquele acontecimento, com um ou com outro aborrecimento, algumas vezes até com ingratidões, mas olhando o que essas três extraordinárias figuras, Pedro Fernandes, Adelino Simões e Hamilton Xavier, fizeram, sentimo-nos estimulados a prosseguir. Sentimo-nos estimulados a continuar a nossa trilha, o nosso caminho, verificando que os obstáculos e as dificuldades são parte inerente da vida de qualquer um, do cidadão comum, do profissional liberal, do operário, do grande empresário e do político. É evidente que ressaltam, com muito mais evidência, as dificuldades e os obstáculos.

Queria fazer meu primeiro pronunciamento logo ontem, mas não houve Expediente Inicial; hoje, durante o Expediente Inicial, precisei fazer um exame médico no Município de Niterói. Entendi que minhas primeiras palavras neste Parlamento, no início desta Sessão Legislativa, não deveriam ser para trazer nenhuma questão ou grande problema, dentre os tantos que estamos vivendo. A Cidade do Rio de Janeiro sofre com enchentes, com mortes, com insegurança, com a retomada do surto de dengue, que tem nos preocupado, mas queria, nesta minha primeira fala, prestar homenagem a esses três políticos que o Estado do Rio de Janeiro perdeu: o querido Deputado desta Casa, Pedro Fernandes, o querido Vereador Adelino Simões, da Câmara Municipal do Rio de Janeiro e o nosso querido – com esse eu convivi mais tempo, mais de perto – sempre vice-Governador Hamilton Xavier.

Muito obrigado.