Discurso - Flávio Bolsonaro

Texto do Discurso

O SR. FLÁVIO BOLSONARO – Sr. Presidente, sei que vivemos numa sociedade com valores completamente invertidos, mesmo assim, ainda sou pego de surpresa, fico estarrecido com algumas situações.

Há alguns anos vi uma cena que nunca imaginaria ver, o líder do MST, João Pedro Stédeli dar palestra na Escola Superior de Guerra - ESG - e, recentemente, ver o sociólogo Ignácio Cano dando um seminário para a Polícia Militar. É uma pessoa com militância política socialista que já vi ser chamado, nas redes sociais, de maconhológo, que defende o desarmamento de policiais, dando palestra para policiais.

Não sei o que é pior, se isso ou se quem leva uma pessoa dessas para dar palestra dentro da Polícia Militar. Num momento em que policiais estão tomando tiro na cara, na rua, uma pessoa que defende desarmar policiais ultrapassa os limites. Pessoas levam esse dito intelectual para ensinar não sei o quê, para quem está morrendo pela nossa segurança e ainda vêm propor limitar o número de tiros de arma de fogo, que um policial militar pode dar em serviço.

Será que ele combinou com os bandidos? Ele ainda usa uma fórmula mágica. Na área de Botafogo, por exemplo, os policiais militares estariam limitados a dar um tiro por mês. Parece que ele nunca pisou no asfalto para combater o crime. Eu acho que mais estarrecedor do que isso, nesse seminário, ele ainda sugere um monte de outras baboseiras, como, por exemplo, o policial que extrapolar essa meta, essa cota, vai ser suspenso do serviço nas ruas e proibido de tirar o serviço extra, remunerado por seis meses.

Presidente, eu ainda dou graças a Deus que há profissionais de Segurança Pública dispostos a dar a vida por nossa segurança. Por enquanto, porque cada dia que passa é cada vez mais a mensagem e os maus exemplos dados para a tropa de que é muito melhor ficar no ar condicionado, tomando um suquinho, lendo um livro, dando palestra, ganhando dinheiro do que combater o crime. Porque só quem está morrendo e sendo preso indevidamente por combater o crime é quem está trabalhando. E eu não sei aonde nós vamos chegar com isso, Presidente. Mas o fato é que hoje há, na cúpula da Polícia Militar, coronéis com viés ideológico completamente equivocado, querendo colocar em prática suas teorias, nunca antes testadas em nenhum lugar do mundo. É o caso de um desses integrantes da cúpula da Polícia Militar, que levou esse sociólogo para lá. Ele é doutorando em Ciências Sociais da Uerj e parece que está usando a Polícia Militar como laboratório para sua tese maluca. Aquelas teses, na teoria, são lindas, mas, na prática, são completamente inaplicáveis. Não dá para entender como é que isso está acontecendo com a nossa Polícia Militar. Limitar o número de tiros que um policial vai dar tem todos os absurdos, e ele já está implicitamente colocando a culpa das balas perdidas no próprio policial militar, quando ele sabe que, na prática, não é isso, na maioria das vezes, na maioria esmagadora das vezes. Policiais, sempre que vão fazer uma repressão ao tráfico de drogas, por exemplo, são recebidos a tiros. Em grande parte das vezes as balas perdidas são oriundas de bandidos altamente armados, que estão ali para atentar contra a vida desses profissionais, para atentar contra o Estado, que é contra o Estado que eles estão praticando esses crimes quando atiram contra um policial militar.

Então, Presidente, fica aqui este repúdio, este lamento. Pessoas que são ligadas, por exemplo, à AfroReggae, à Viva Rio, essas ONGs, não têm o que somar para a Polícia Militar. Eles têm que tomar um choque de realidade, se colocar no lugar do soldado, lá na ponta da linha, porque parece que nunca fizeram esse exercício para propor um absurdo desses. Querem deixar a tropa ainda mais vulnerável, querem ver mais mortes de policiais? A população já está desarmada, já é refém dessa vagabundagem, porque o Governo Federal, desde Fernando Henrique Cardoso, tirou qualquer chance de defesa dos cidadãos ordeiros nesse país, que é agir em legítima defesa com o uso de uma arma de fogo. A população deu a resposta no Referendo de 2005 de que era favorável ao cidadão brasileiro, se assim desejar, se assim estiver preparado para isso, se atender aos requisitos legais, ter uma arma de fogo para sua legítima defesa. Ninguém compra uma arma em loja para fazer besteira. Mas as armas são facilmente acessíveis para esses marginais. Esses marginais que estão tirando a vida dos nossos policiais, e se a Polícia Militar falha, se a Polícia Militar não resolve, aí, meu amigo, é só Deus. Oramos a Deus todos os dias, mas oro também pela Polícia Militar e por esses homens que são honrados, vocacionados, fazendo um pedido: não desistam, porque a função de vocês é nobre, é singular e é vital para que haja democracia no nosso País.

Obrigado, Sr. Presidente.