Discurso - Flávio Bolsonaro

Texto do Discurso

O SR. FLÁVIO BOLSONARO – Sr. Presidente, assisti às imagens lamentáveis do ocorrido na Favela da Rocinha, que mostra um grupo de marginais partindo para dentro dos policiais militares; destroem a viatura da Polícia Militar; agridem esses policiais, que não reagem, nada fazem para impedir a injusta agressão que vinham sofrendo.

Ver essas imagens me causou uma indignação. Está decretada ali a falência da autoridade. E aqui não vai nenhuma crítica aos policiais militares, não! Acho até que eles foram muito malandros. Pensaram rapidamente dois, três passos à frente. Porque hoje em um fato como esse, mesmo que filmado e comprovado, se eles tivessem reagido, dado um tiro de advertência, dado um tiro no joelho de um vagabundo daquele, ainda assim, havia grandes chances de estarem presos nesse momento, mesmo comprovadamente agindo em legítima defesa. Então, não há crítica aos policiais. Agora, é para se refletir. Por que eles tomam uma atitude como essa?

Eu ouço falar tanto em democracia, em respeitar a vontade da sociedade. A sociedade quer um policial militar com esse comportamento? Nós temos que tentar entender o que está levando o policial militar a entubar situações como essa.

Eu conversei hoje pela manhã com alguns policiais militares nas ruas e é unânime a opinião, eles estão envergonhados. E muitos que já tiveram oportunidade trabalhar em UPPs estão falando abertamente, Deputado Thiago Pampolha: “Nós sabemos onde estão as armas, nós sabemos onde estão as drogas e nós não podemos fazer nada. Nós somos proibidos de fazer alguma coisa”. Porque há sempre esse receio, essa preocupação, com o quê? Repito, será que a sociedade quer esse tipo de comportamento dos nossos policiais militares? Tenho certeza de que não. Não é a vontade da maioria da população.

Como também não é a vontade da maioria da população que a maioridade penal continue sendo aos 18 anos. Ninguém aguenta mais ter tanto menor de idade cometendo crimes dos mais hediondos, mais covardes e nada acontecer com eles. Cometem o crime e, quando são pegos e vão para a delegacia, no dia seguinte estão soltos, fazendo a mesmíssima coisa, desgraçando mais um outro número enorme de famílias.

Se paramos para pensar, vemos como a situação vai evoluindo de forma preocupante. Desde o ano passado os policiais militares vêm sendo constante e severamente criticados, principalmente no tocante à repreensão aos protestos mais violentos, na repreensão aos black blocs. Sempre tem um intelectual que, dentro da sua salinha com ar-condicionado, analisa as imagens com bastante calma, vendo as imagens várias vezes, e julga um PM por uma situação em que ele teve fração de segundos para pensar no que ia fazer. Mas desde o ano passado eles estão sendo massacrados. E continuavam sendo até acontecer uma fatalidade com um jornalista - diga-se de passagem, por causa de um rojão atirado que pegou nele por acaso, mas era endereçado aos policiais militares.

Portanto, ficamos com essa preocupação: até quando a tropa não vai ter segurança jurídica para trabalhar? Até quando ela vai olhar para cima, ver os seus exemplos e não conseguir se espelhar num bom exemplo? Porque é muito fácil criticá-los. Mas a tropa não é um reflexo do seu comandante? O que está acontecendo com a tropa?

Então, essa é a tendência, Presidente, com esse tipo de policiamento que vem sendo feito sobre eles, com constantes denúncias – do meu ponto de vista, denúncias vazias -, com críticas descabidas e exageradas. Sem considerar uma série de situações, uma série de circunstâncias que envolvem o dia a dia do policial militar. Já falei aqui algumas vezes que há policiais militares trabalhando 296 horas por mês. Há policial militar que entra às 9 horas no quartel, sai às 9 horas no dia seguinte; às 10 horas está escalado para mais 8 horas de serviço extraordinário, sai às 18 horas e às 7 horas do dia seguinte está escalado para mais 24 horas de serviço. Não tem ser humano que aguente, não tem como dar certo.

Além disso, os policiais estão trabalhando com medo de um regulamento disciplinar arcaico, porque sempre, quando acontece algum fato que tem grande relevância, a corda estoura do lado deles, a bomba explode no colo deles. Via de regra, é praça sendo preso, por ter ido cumprir uma ordem que ele achava que era correta, por agir da maneira como aprendeu nos cursos de formação e, no entanto, é punido por isso. Só pode errar quem trabalha.

Hoje a coisa mais comum é haver excelentes policiais militares encostados em algum canto, observando o que vai acontecer. Quem perde somos nós, a sociedade. Nós perdemos, porque, hoje em dia, para ser policial militar, tem que gostar muito, tem que ter vocação, tem que ser corajoso ou tem que precisar muito. Esta é a realidade. E essa falta de apoio é que percebo que a tropa começa a enxergar que de fato não existe; com isso, a bandidagem cresce, cada vez mais audaciosa e covarde.

O que aconteceu na Rocinha foi um caso lamentável. Ainda ouvi um comentarista, ao analisar o fato, dizendo que eles “agiram daa forma correta, que agiram com a técnica, com a frieza necessária”. Diga-se de passagem, pelas imagens, pôde-se comprovar que quase todos têm passagem pela polícia, alguns por associação para o tráfico de drogas. Se algum vagabundo daquele tivesse tomado a arma do policial e matado esses dois policiais militares, o que iria acontecer? Certamente, hoje, mais uma vez, grande parte da imprensa não estaria dando a devida importância para a morte de mais um policial militar, e sua família estaria chorando, desgraçada, arruinada, como tem acontecido com tanta constância, infelizmente, nos últimos tempos.

Então, Presidente, fica aqui esta crítica, porque na verdade a gente percebe que há, sim, uma preocupação muito grande da tropa para trabalhar com tranquilidade. Até para agir dentro da lei eles estão preocupados, porque têm receio de verem suas carreiras interrompidas, têm receio de serem presos por situações esdrúxulas. O policiamento que está indo nessa linha. Eu nem quero ver quando chegar a Copa.

Obrigado.