PROJETO DE RESOLUÇÃO322/2011

Autor(es): Deputada ASPASIA CAMARGO

A ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
RESOLVE:


JUSTIFICATIVA

Livreiro das antigas, Rui Campos é hoje um dos personagens mais populares e queridos da vida cultural carioca. Natural de Belo Horizonte, fundador e hoje um dos sócios da Livraria da Travessa, passou a juventude idealizando o Rio de Janeiro. O fascínio era tanto que a brincadeira predileta era “decorar o nome de todas as transversais da Avenida Atlântica”. Agora, depois de 36 anos na capital carioca, ele ainda se encanta com a cidade.

O romance com os livros começou aos 20 anos, após ser convidado para trabalhar na na filial de Ipanema da Livraria Carlitos, cuja matriz era em Copacabana. Em entrevista, Rui conta: “Era um bando de loucos, tipo o incrível Exército de Brancaleone, que tinha feito a livraria com o objetivo de ganhar dinheiro para poder fazer cinema. Eu vim para trabalhar na filial de Ipanema e, no meu quarto dia de trabalho, eles me comunicaram que estavam em crise econômica e iam fechar a filial. Comprei então a Carlitos e a transformei na Muro.”

Em plena Ipanema, reduto de memória da bossa nova (com Vinicius e Tom ainda presentes), cenário de militância política, moda, arte de vanguarda e contracultura, a Muro firmou-se como lugar de encontro, discussão, literatura e resistência. Os poetas da chamada poesia marginal fizeram dela seu lugar privilegiado, lançando ali, com recitais e performances, os seus livros artesanais e de pequeníssima tiragem, hoje raridades bibliográficas. Em 1981, saiu e juntou-se ao grupo que dirigia a Livraria Dazibao. A Muro fechou em 1982.

A Dazibao fez sucesso, marcou época. Em 1986, abriu a primeira filial na Travessa do Ouvidor, a Dazibao – Centro. Na mesma época começaram a haver alguns desentendimentos na sociedade, resultando na decisão de separá-la. Rui ficou com a filial Centro e os demais sócios com a loja de Ipanema. A Dazibao – Centro passou a se chamar Dazibao da Travessa, e, algum tempo depois, o nome mudou para Livraria da Travessa. O Centro receberia mais uma filial, à Av. Rio Branco (num belo prédio remanescente da antiga Avenida Central) e, em Ipanema, origem de tudo, foram abertas duas, permanecendo aquela inaugurada em 2002. Em 2006, chegou a vez do Leblon. Em 2008, a da Barra.

Há lugares que têm alma. E se não é fácil explicar o que seja isso, reconhecemos essa qualidade sensível quando nos encontramos num deles. A Livraria da Travessa – há muito presente na memória afetiva do Rio – é um desses espaços em que a cidade retorna à escala humana e a paisagem se torna íntima, acolhedora. Esse espaço completa em 2011 vinte e cinco anos que, esperamos todos, se estendam por muitos e muitos mais.

É inegável a importante contribuição de Rui Campos para o desenvolvimento do meio cultural e intelectual no Rio de Janeiro, razão pela qual pedimos o apoio dos(as) Senhores(as) Deputados(as) para a aprovação deste Projeto.


Legislação Citada



Atalho para outros documentos



Informações Básicas

Código20110500322AutorASPASIA CAMARGO
Protocolo4255Mensagem
Regime de TramitaçãoOrdinária

Entrada 08/17/2011Despacho 08/17/2011
Publicação 08/18/2011Republicação
Comissões a serem distribuidas


01.:Normas Internas e Proposições Externas


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